terça-feira, 2 de dezembro de 2014

carta pra aliuscha (a velha da horta)


Eu queria escutar o ruído da tua janela pra ver se descubro o que a cigarra conta, que tu escreve toda noite naquela maquininha de apertar botão. Entra botão sai palavra, entre as palavras pretas, o branco do dia. Quando a cigarra dorme (onde a cigarra dorme?) tu tens a manhã pronta naqueles pedaços de árvore. Nunca vi disso. Escutar cigarra. Pior que eu sei que por ai não pára. De dia enquanto tu finge ajudar no terreno, anda de segredo com as plantas. Capim limão, erva cidreira, tudo que é sorte de verde e marrom, claro, sem nunca esquecer as abóboras. Ainda bem que os de gente não podem ouvir a risada dos de raiz. Quanta bagunça tu faz naquele canteiro. Recolhendo histórias do verde e dos velhos e pedindo licença pra cortar com calma uma hortelã que quer virar chá. Quando sai pro mundo, tu abraça o tambor e beija sempre o moço de barba que fala em línguas. Eu gosto do sabor que é de ver vocês todos vadiando. Mexe dentro sabe? De encher a calma da gente de barulho. 

sobre o concurso de contos.

Recentemente fui contemplado em um concurso literário em que muita gente bacana participou.

Abaixo deixo o conto que fiz e o link para a o blog do concurso.





























(clique para ler melhor)


Contos de Joinville:
http://contosdejoinville.blog.com/

...

tristeza e plantação:
quando melão colhia
tanta melancolia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ao contrário

Nenhum tapete de mundo pode calçar a tua porta. É tão selvagem teu ser, com tanta raiva incabida, teu jeito de ver a vida de cima do temporal, que nem teus pés querem chão, que nem o pó que ainda mora por sobre as faltas do agora quer te cobrir por ter medo. 
É tão difícil te ver e segurar na minha mão essa vontade do pulo, a tua cara de orgulho varrendo a festa com os olhos. Me ponho quieto de espanto, me oponho ao que quero tanto, porque é demais o que peço, esse vazio de estar perto é como mar no deserto. É do avesso o inverso. É um ateu com seu terço rezando pra não ter fé. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

processo inverso

Eu admiro aquilo que me foi velado. Nego as minhas suspeitas secretas pra poder continuar assim, calado. O que importa são os efeitos que os reflexos traem e não o que refletem, o vidro que cortou a tua boca é apenas um dos cacos que caiu do céu, chovia e a gente andava procurando estrelas. Lembro de como elas nos olhavam, lembro das suspeitas esvaziadas nas desculpas esfarrapadas. Cegou o caminho andar assim, atrelado as luzes que da terra viamos. Eu admiro aquilo que me foi velado. Nego minhas suspeitas indiscretas pra poder continuar assim, culpado. O que importa são as traições que os efeitos refletem e não o que caiu do céu, os cacos do teu vidro na boca esfarrapada chovem como gente e estrelas, molhando o que em nós procuramos. Olho para o que elas esquecem e esvazio o que lembro, admirando o velório daquilo que me foi tirado.

sábado, 29 de janeiro de 2011

indignada

e na praça da procissão, possessa por ser porção passou pelas primeiras pessoas pensando pecado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011